É possível estimular o corpo na produção de colágeno?

29 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · Kur My Home Spa

É possível estimular o corpo na produção de colágeno?

É fato que o corpo pode ser estimulado a produzir mais colágeno. Essa proteína, responsável por boa parte da firmeza e da sustentação da pele, está em constante renovação, e as células que a fabricam, os fibroblastos, respondem a determinados estímulos.

Segundo o Dr. Damiê De Villa, médico dermatologista da equipe técnica do Kurotel, a dermatologia reúne evidências para alguns desses estímulos, como os retinoides e procedimentos que provocam remodelação dérmica. O que não se sustenta, alerta Dr. Damiê, é a ideia de que qualquer produto com a palavra "colágeno" no rótulo vai, necessariamente, fazer o organismo produzir mais.

 A seguir, o dermatologista separa o que tem respaldo científico do que é apenas promessa de embalagem.

 O que faz o corpo perder colágeno mais rápido?
Dr. Damiê é enfático: o principal fator externo é a radiação ultravioleta. “O envelhecimento natural já reduz a produção de forma progressiva, mas a exposição ao sol sem proteção acelera a degradação das fibras”, aponta. Além disso, tabagismo, poluição, alimentação desequilibrada, excesso de açúcar e os processos de glicação também contribuem.

Há ainda fatores que agem de forma indireta. De acordo com o Dr. Damiê, sono inadequado e estresse crônico podem interferir nos mecanismos de reparação da pele, ou seja, não destroem o colágeno diretamente, mas atrapalham a capacidade do organismo de se recuperar dos danos do dia a dia. 

Com que idade a produção de colágeno começa a cair?
A queda começa relativamente cedo na vida adulta e se torna mais relevante com o passar dos anos. O dermatologista, porém, faz uma ressalva importante: ele evita números exatos, como a famosa afirmação de que perdemos 1% de colágeno por ano a partir dos 25. Para ele, trata-se de "uma simplificação muito repetida comercialmente".

Na prática, a velocidade dessa perda varia de pessoa para pessoa, conforme genética, exposição solar, tabagismo e alterações hormonais. Nas mulheres, por sua vez, a queda de estrogênio na menopausa pode acelerar bastante a perda de colágeno na pele.

Suplemento de colágeno funciona?
Existe evidência, mas ela precisa ser lida com cautela. Alguns estudos mostram melhora discreta na hidratação, na elasticidade e nas rugas com o uso de peptídeos de colágeno hidrolisado. No entanto, o Dr. Damiê lembra que uma meta-análise mais recente apontou que, quando se consideram apenas os estudos de maior qualidade e sem financiamento da indústria, esses benefícios deixam de ser claros.

Por isso, na avaliação do dermatologista, não dá para dizer que suplementar o colágeno seja indispensável, nem que ele vá direto para a pele. O suplemento é digerido e fornece aminoácidos e pequenos peptídeos, que podem participar de diferentes processos do organismo, não apenas da formação de colágeno cutâneo.

 Qual a diferença entre colágeno ingerido e colágeno aplicado na pele?
A diferença é grande. O colágeno ingerido é quebrado durante a digestão e é absorvido na forma de aminoácidos e peptídeos, de modo que não chega intacto à pele para "virar colágeno". Já o colágeno presente em cremes é uma molécula grande demais para alcançar a derme, a camada onde as fibras se perdem.

Isso não significa que ele seja inútil. Na superfície da pele, explica o médico, o colágeno tópico funciona principalmente como hidratante e forma uma película protetora. Estudos com peptídeos orais e tópicos sugerem alguns efeitos, mas os resultados ainda são heterogêneos.

Cremes e séruns estimulam a produção de colágeno?
Alguns ativos, sim. O exemplo clássico são os retinoides, que têm evidência tanto de estímulo à síntese quanto de redução da degradação do colágeno. Outros ativos podem auxiliar, mas, segundo o Dr. Damiê, muitos cosméticos atuam sobretudo melhorando a hidratação e a barreira cutânea.

 Esse papel tem valor, porque uma pele bem hidratada e com a barreira preservada fica mais confortável e protegida. Ainda assim, o dermatologista é direto: não se pode afirmar que todo creme "com colágeno" estimula o colágeno.

Quais nutrientes o corpo precisa para produzir colágeno?
O ponto de partida é uma ingestão adequada de proteínas, já que o colágeno é formado por aminoácidos, especialmente glicina, prolina e lisina. A vitamina C também é fundamental, porque atua como cofator na síntese dessa proteína. Minerais como zinco e cobre, por sua vez, participam da formação e da maturação da matriz que sustenta a pele.

Há, contudo, um limite. Em quem já tem uma alimentação equilibrada, lembra o médico, suplementar esses nutrientes além da necessidade não significa necessariamente produzir mais colágeno. 

Qual o cuidado diário que mais preserva o colágeno?
A fotoproteção. Se tivesse que escolher um único hábito, o Dr. Damiê ficaria com ele: evitar a exposição solar excessiva e usar protetor solar todos os dias reduz o dano causado pela radiação ultravioleta e, com isso, a degradação das fibras de colágeno.

Depois disso entram não fumar, manter uma alimentação equilibrada e seguir uma rotina de cuidados adequada à pele. E, acima de tudo, o dermatologista reforça a importância do acompanhamento com um médico dermatologista, que pode avaliar cada caso e indicar os recursos com evidência para cada pessoa. 

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Perguntas frequentes

É possível fazer o corpo produzir mais colágeno?
Sim. Os fibroblastos podem ser estimulados, e a dermatologia tem evidências para recursos como retinoides e procedimentos de remodelação dérmica. Nem todo produto com "colágeno" no rótulo, porém, tem esse efeito.

 O suplemento de colágeno vai direto para a pele?
Não. Ele é digerido e absorvido como aminoácidos e peptídeos, que podem participar de diferentes processos do organismo. A evidência de benefício para a pele existe, mas é discreta e precisa ser interpretada com cautela.

Creme com colágeno repõe o colágeno perdido?
Não. A molécula é grande demais para chegar à derme. Na superfície, o creme atua principalmente como hidratante e forma uma película protetora. 

É verdade que perdemos 1% de colágeno por ano a partir dos 25?
Segundo o Dr. Damiê De Villa, essa é uma simplificação comercial. A perda começa cedo na vida adulta, mas sua velocidade varia com genética, sol, tabagismo e alterações hormonais, como a menopausa.

Qual o hábito mais importante para preservar o colágeno?
O uso diário de protetor solar e o cuidado com a exposição ao sol, já que a radiação ultravioleta é o principal fator externo de degradação do colágeno.


Damiê De Villa
Damiê De VillaDermatologista

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